“Nos anos 1970, meditação era papo de doido. Já, na década de1980, transformou-se em assunto alternativo. Nos anos 1990, foi considerada tendência. Hoje, é o cenário.” Essa análise, feita pela dirigente do Instituto Migliori e professora Regina Migliori, ilustra a relevância dos efeitos da meditação mindfulness  na vida de uma pessoa. Quer saber mais sobre o assunto? Então confira o artigo que fala mais como a ciência enxerga a meditação mindfulness.

Meditação mindfulness e ciência

Para quem ainda acha que meditação não tem benefícios comprovados, o médico e professor de meditação mindfulness, Marcelo Demarzo, falou com o NAMU sobre a sua importância sobre a relação do tema meditação com a academia.

Meditação mindfulness no sistema de saúde

A meditação mindfulness é tão poderosa que já faz parte do sistema de saúde de alguns países. Na Inglaterra, por exemplo, o National Health Service (NHS), uma “espécie de Sistema Único de Saúde (SUS) inglês”, oferece sessões de meditação mindfulness aos que sofrem de depressão, ansiedade e muitas outras doenças. Contudo, no Brasil ainda não existe um programa nacional que oficializa a implantação de práticas de mindfulness para todo país. No entanto, iniciativas isoladas já surgiram em diversas locais.

Mindfulness na saúde pública

O médico Júlio Lins contou ao Namu sua experiência com a introdução de práticas meditativas em unidades de saúde do SUS em Recife. Além disso, ele também relatou alguns benefícios que os pacientes sentem após as aulas. Confira!

Meditação mindfulness na escola

A implantação de mindfulness e outras práticas contemplativas no âmbito educacional também já está acontecendo. Em entrevista para o NAMU, a professora Regina Migliori contou sobre a transformação que essas técnicas possibilitam aos estudantes. Assista!

II Encontro de Meditação Mindfulness e Promoção da Saúde

Em 2014, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Associação Palas Athena, aconteceu o II Encontro de Mindfulness e Promoção da Saúde que debateu estudos sobre os efeitos da meditação de atenção plena – ou seja, concentração total no momento presente.

Na palestra sobre meditação mindfulness e neurociência, a professora do programa de pós-graduação em psicobiologia da Unifesp e pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, Elisa Kozasa, citou as pesquisas de Sara Lazar, que identificaram um aumento na massa cinzenta de quem pratica a meditação. Outro estudo, da qual a própria Kozasa participou, chegou à conclusão de que, com acurácia de 94,8%, pode-se dizer pela estrutura do cérebro, analisada em exames de imagem, se a pessoa medita ou não.

Resultados da prática

“É possível, portanto, comprovar as mudanças estruturais no cérebro de quem medita com regularidade”, afirmou a pesquisadora. Através de exames, outra pesquisa constatou que pessoas que não meditam esforçam mais o cérebro em tarefas que exigem atenção. Esses resultados são evidências de que o treino de meditação pode potencializar a eficiência do cérebro em exercícios que exigem concentração e no controle de impulsos.

Sabe-se que é a frequência da prática da meditação e não sua duração o que mais influi nos resultados. Inclusive, para quem não medita, começar é muito difícil, comenta Kozasa.

“Tem até a ver com a liberação de endorfinas, o que demora um pouco. Um meditador experiente é como um atleta olímpico, por exemplo. Isso significa que o prazer para quem pratica a meditação mindfulness com regularidade é maior. Porém, a pergunta é: como ajudar um meditador sedentário a se transformar em um meditador atleta, que pratica três vezes por semana?”, questionou a neurocientista.

benefícios da meditação mindfulness

É possível medir mindfulness?

A escala mais utilizada para medir a “atenção plena” nessa técnica chama-se Five Facet Mindfulness Questionnaire (FFMQ). Ela se baseia em cinco habilidades: observar, descrever, consciência, não-julgar e não-reagir.

Esses parâmetros foram discutidos pelos pesquisadores e interessados reunidos no anfiteatro da Unifesp. Em sua palestra, Joaquim Soler, psicólogo e pesquisador do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau de Barcelona, na Espanha, ressaltou os resultados curiosos da pesquisa que revelou que pessoas que abusam de álcool possuem maior nível de atenção que pessoas sem esse hábito. O segredo para analisar os dados, explica Soler, é levar em conta outros índices, como o de aceitação.

“Esses resultados aparecem porque se tem entendido a meditação mindfulness basicamente como um fator de atenção. Principalmente nas pesquisas que usam a Mindfulness Attention Awareness Scale (MAAS). Esses estudos, no entanto, não consideram fatores como aceitação e não julgamento. Ou seja, se isso fosse feito, não chegariam a essas conclusões absurdas.”

Outras escalas utilizadas

Soler citou outras escalas utilizadas nas pesquisas sobre mindfulness. Entre elas, a Philadelfia Mindfulness Scale (PHLMS), que correlaciona a consciência com o estado de aceitação.

“É um tema complexo, porque cada questionário entende mindfulness de modo diferente. Também existem várias maneiras de se praticar a meditação, com movimentos do corpo ou sentado, por exemplo. Atualmente, a escala mais utilizada é a FFMQ, que considera mais aspectos na medição”, explica Soler.

O II Encontro de Mindfulness e Promoção da Saúde contou com cerca de 20 apresentações. Ambas relataram diferentes pesquisas e experiências sobre a meditação mindfulness. Porém, apesar da quantidade de estudos, os pesquisadores destacam que ainda há muito a ser feito. Ainda, que em meio a tanta teoria, vale lembrar que as pesquisas só existem, porque quem já vivenciou o estado de “atenção plena” afirma ter sensações benéficas para várias áreas da vida.

Pratique a meditação mindfulness em casa

Agora que você já sabe que os efeitos da meditação mindfulness são alvos de estudos e pesquisas feitas por professores e estudiosos renomados, que tal introduzir o método em seu dia a dia?

Ministrado pela professora Tamara Russell, o curso Mindfulness: meditação em movimento é 100% online, para você praticar onde quiser. Disponível na plataforma NAMU cursos, as aulas foram pensadas como um treinamento de mindfulness de caráter científico. Ou seja, elas são baseadas no estudo da neurociência e produzidas com responsabilidade.

O curso é dividido em doze aulas, com direito ao material complementar e certificado e conclusão. Nas aulas, Tamara Russell explica o conceito do termo e o passo a passo para ter uma prática fluída e benéfica. Quer mais informações sobre o curso? Então clique aqui.