É fato que o corpo humano está em constante mudança, uma criança de cinco anos não chegará aos 40 com a mesma estrutura física. E para manter a saúde, é importante adotar certas medidas durante esse processo. Não é preciso nem mencionar que uma alimentação equilibrada já é de grande ajuda, além da realização constante de exercícios físicos, ótimos para a prevenção de doenças, alívio de estresse e fortalecimento muscular.

Os músculos do corpo nem sempre podem ser vistos, porém, assim como os demais, devem ser trabalhados. Um exemplo claro é o assoalho pélvico. Esse grupo de músculos fica na base do tronco e é responsável pela sustentação dos órgãos pélvicos (ânus, bexiga, reto, uretra, útero e vagina). Um grande número de mulheres sofre de problemas como incontinência urinária sem saber que muitas vezes a causa está no enfraquecimento da região.

“Esses músculos são muito solicitados durante a nossa vida, mas raramente nos preocupamos em fortalecê-los. Com o avançar da idade ou com alguma sobrecarga, gravidez e obesidade são alguns exemplos, os músculos do assoalho pélvico podem se tornar mais fracos, gerando algumas disfunções”, declara a fisioterapeuta Clarissa Marzinotto Baron.

Espirrar, rir e tossir podem ser grandes incômodos para quem sofre com incontinência urinária e fecal. Não segurar o xixi ou as fezes não é normal e acaba por prejudicar, e muito, a qualidade de vida das pessoas, tanto individual quanto socialmente. Prolapsos genitais, que são bexiga e útero caídos, e disfunção sexual também entram na lista.

O corpo da mulher

A sexualidade feminina nem sempre foi tratada com clareza. Atualmente, com algumas quebras de tabus, já é possível entender melhor o próprio corpo e conhecê-lo mais a fundo. Ter uma vida sexual saudável beneficia tanto o lado físico quanto o mental, e ter a região do assoalho pélvico enfraquecido não é uma alternativa para que almeja estar bem consigo mesmo.

A dificuldade em atingir orgasmos e a falta de prazer durante o ato sexual podem sim estar relacionados a esse enfraquecimento, assim em homens como em mulheres. Uma pesquisa acadêmica da Universidade do Sul de Santa Catarina, concluiu que exercitar os músculos do assoalho pélvico traz resultados significativos para a saúde feminina.

“Com os resultados obtidos, 85% das pacientes tiveram um aumento na frequência dos orgasmos; todas as pacientes (100%) relataram um aumento na satisfação sexual, mais desejo sexual, maior consciência perineal, maior facilidade para atingir o orgasmo; […] observou-se ainda um aumento da força perineal com o cone, perineômetro e toque bi digital, pode-se concluir que o protocolo de exercícios estabelecido mostrou-se eficaz”, declarou o artigo.

O que fazer para fortalecer

A primeira opção é procurar a orientação de um profissional da área, não é adequado se automedicar ou elaborar seu próprio cronograma de exercícios. A fisioterapia é a primeira alternativa para quem nunca trabalhou o assoalho e nem teve contato com atividades de fortalecimento da região. Uma outra forma de trabalho, desde que sugerida pelo médico, é o pilates.

De acordo com a fisioterapeuta Clarissa Marzinotto Baron, o pilates pode ajudar a prevenir a fraqueza do assoalho pélvico, desde que já se saiba contrair essa musculatura da forma correta. “Se a pessoa sabe fazer a contração, ela pode associa-la junto aos exercícios de pilates. Alguns músculos trabalhados com o método são sinérgicos com os músculos do assoalho pélvico, como o transverso abdominal, que é bastante estimulado pelo pilates”, relata Baron.

É importante saber realizar essa contração, pois se não souber, o que é comum de acontecer por quem nunca realizou a prática, é capaz de acentuar os problemas a serem tratados, por isso é essencial ter cuidado. O pilates não serve como tratamento, mas como progressão.

O pilates e o assoalho pélvico

Não é novidade que o pilates, assim como a yoga, traz inúmeros benefícios, como melhora na respiração, correção da postura e aumento da flexibilidade. A prevenção do enfraquecimento muscular também é uma das vantagens em realizar o método constantemente. Alguns exercícios podem sim movimentar o assoalho pélvico.

“O próprio conceito de contração do power house já é sinérgico com os músculos do assoalho pélvico. Mas, principalmente, os exercícios de estabilização da pelve e exercícios que solicitem o transverso abdominal como, por exemplo, a ponte, the cat na chair, spine strech no cadilac, entre muitos outros”, declara Baron.  “Alguns profissionais têm hábito de solicitar exercícios de kegel, que são exercícios perineais, mas estes só devem ser solicitados depois de avaliação prévia de força e percepção do assoalho pélvico”, reforça a fisioterapeuta.

O enfraquecimento da região pode ocorrer por inúmeros motivos: falta de fortalecimento, como já foi dito; alteração hormonal, como a menopausa e andropausa; e envelhecimento natural. Não existe uma idade específica para a prática de pilates. “A vantagem do método é que ele pode ser adaptado para vários pacientes que tem restrições de movimento, de qualquer idade ou até com doenças crônicas”, finaliza Baron.

Gestantes também podem praticar pilates, desde que liberadas por seus médicos. Se realizado constantemente, pode, inclusive, auxiliar nos três trimestres da gestação. Como o peso do bebê aumenta a cada mês, a mulher necessita de um assoalho fortalecido e capaz de suportar a nova carga. Para quem deseja reduzir as dores lombares e evitar lesões na musculatura, o pilates também é uma opção.

Gostou das informações? Então não deixe de compartilhar com os amigos em suas redes sociais.

Foto: Wikimedia Commons