Segundo pesquisas, o estado de transe pode ser definido como um estado alterado da consciência, onde podem ocorrer vários fenômenos neurofisiológicos. Entre os principais, podemos citar a ausência de dor, alucinações, amnésia, paralisia e alta sugestionabilidade.

Esse estado mental pode ser classificado em três níveis, o leve, o médio e o profundo. E embora o termo seja associado à hipnose, a técnica também é usada em psicoterapias e até mesmo na odontologia. Nesse segundo caso, busca-se o transe para tratar o paciente sem o uso de anestesias comuns.

Porém, você já parou para pensar em como fica o cérebro no estado de transe?

Uma pesquisa feita por cientistas brasileiros e norte-americanos com dez médiuns e publicada na prestigiada revista cientifica norte-americana Plos One observou que ao psicografar, os médiuns escrevem textos mais complexos do que quando estão conscientes.

No entanto, usam menos as áreas do cérebro envolvidas em criatividade e planejamento. Durante a psicografia, entram em transe e começam a escrever mensagens que, acreditam, foram ditadas por espíritos. O estudo foi apresentado pelo psicólogo clínico e doutor em neurociências e comportamento Julio Peres no 4º Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas. O estudo foi promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Associação Palas Athena.

O cérebro em estado de transe: Entenda como foi feita a pesquisa

Os cientistas conduziram os médiuns brasileiros até a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, onde foram feitos os registros. Segundo o estudo, logo após entrarem em estado de transe e escreverem textos, os médiuns foram dirigidos a um aparelho de tomografia, no qual os pesquisadores “fotografavam” o cérebro.

Objetivo da pesquisa

A ideia era descobrir se áreas relacionadas ao foco, planejamento, habilidade linguística e criatividade, mobilizadas pela escrita, recebiam um fluxo maior de sangue – indicador seguro de maior atividade.

Também foi solicitado aos médiuns que eles escrevessem um texto durante 25 minutos. Novamente, após a atividade, tiveram seu cérebro examinado. As redações tinham temas parecidos com aqueles escritos durante o transe: a importância da espiritualidade, princípios éticos e a importância da aproximação entre ciência e espiritualidade.

estado de transe

Resultados

Quando compararam as imagens dos cérebros em diferentes momentos, os pesquisadores notaram diferenças. Assim, áreas relacionadas à criatividade e planejamento recebiam menos fluxo de sangue durante a psicografia do que durante a redação em estado consciente. No entanto, os textos produzidos pelos médiuns com mais experiência em estado de transe ganharam notas mais altas do que aqueles produzidos conscientemente.

As redações foram avaliadas por um especialista em língua e literatura brasileira pelos mesmos critérios utilizados em provas de vestibular. Ou seja, o especialista analisou pontuação, ortografia, concordância verbal e nominal, colocação de pronomes, desenvolvimento do tema e consistência etc. As áreas do cérebro ligadas à escrita que mostraram alteração no estudo foram as seguintes: cúlmen esquerdo, hipocampo esquerdo, giro ocipital esquerdo, cíngulo, giro temporal direito superior e giro pré-central.

Estado de transe ou estado de dissociação?

Segundo os autores do estudo, os resultados indicam a impossibilidade dos médiuns estarem fingindo ao criarem os textos mais elaborados. Inclusive, esse é o argumento usado com frequência para explicar os transes mediúnicos. Essa impossibilidade se dá pelo fato de que fingir exigiria ativação dos circuitos relacionados à criatividade e planejamento.

Como é feito?

Os médiuns relatavam estar com a mente relaxada, o que poderia explicar a menor atividade do cérebro em geral. No entanto, somente o relaxamento não explicaria o fato de as áreas ligadas ao processo cognitivo de criar um texto terem sido menos ativadas durante o estado de transe.

Para os praticantes do kardecismo, a explicação é clara: espíritos estavam ditando os textos ou escrevendo através de suas mãos. Contudo, avaliar essa hipótese não foi a função do estudo. Os cientistas defendem que os dados, introdutórios e feitos com uma pequena amostra, podem ajudar outros pesquisadores a entender melhor o que acontece durante os chamados estados de dissociação. Esse é o nome dado pela psiquiatria a fenômenos como ouvir vozes, ter visões e mudar de personalidade.

“A pesquisa aponta para potencial utilidade de estudos aprofundados sobre os estados dissociativos da consciência e experiências espirituais em aumentar nosso entendimento da mente e sua relação com o cérebro”, complementam Peres e os outros autores.

Estado de dissociação

Experiências de dissociação são comuns em diversas religiões. Porém, só costumam ser estudadas na neuroimagem quando constituem fator de risco para doenças psiquiátricas, afirmam os cientistas após revisão na literatura. Para os pesquisadores, faltam estudos mais modernos sobre o que acontece no cérebro de pessoas que entram em estado de transe sem essas doenças.

“Embora o estudo de experiências espirituais como a mediunidade seja seminal para o desenvolvimento da nossa compreensão atual da mente, sua relevância foi negligenciada por pesquisadores no século passado”, apontam.

Tenha mais qualidade de vida com a meditação

Gosta de assuntos ligados à ciência e questões da mente? Então confira nossos cursos de meditação. Eles foram especialmente desenvolvidos para que você possa praticar meditação em casa sem nenhuma dificuldade.

Além de diminuir o estresse, a meditação também melhora a função imunológica e auxilia nas atividades multitarefas em ambiente estressante. Ainda, reduz a probabilidade de sintomas relacionados à depressão. Conheça esses e outros benefícios da meditação se inscrevendo em um de nossos cursos online. Acesse o site do Namu ou envie-nos um e-mail para [email protected].