A musicoterapia é a utilização da música e/ou o som e seus elementos (ritmo, melodia, harmonia, intensidade, duração, silêncio…) no tratamento terapêutico. Ela auxilia e proporciona ao indivíduo ou grupo uma relação com suas expressões corporais, sonoro-musicais, não verbais e verbais, abrindo canais de comunicação em todos os âmbitos do ser humano.

Promove o desenvolvimento e a manifestação de estados cada vez mais conscientes e saudáveis, pois essa prática intermediada por um musicoterapeuta oferece ao indivíduo a oportunidade de lidar e organizar as suas experiências. Isso possibilita uma melhor percepção de si mesmo e do mundo, resgatando funções globais e específicas para uma melhor qualidade de vida em suas dimensões física, mental, emocional, energética, social, ambiental e espiritual.

Por essa definição, podemos ver o quão amplo e diverso é o trabalho da musicoterapia.

Benefícios da musicoterapia

Quando, em um processo musicoterápico, damos ênfase ao não verbal, vivenciamos de formas diferentes as comunicações, portanto, conseguimos perceber, pensar, sentir e agir de forma diferente e mais consciente.

Isso se dá dentro dos processos de musicoterapia através do uso de instrumentos musicais, do uso da voz produzindo sons, do canto de canções, do corpo, do ambiente, da música e das diversas formas de se utilizar os elementos do som.

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1.  Melhora a comunicação

Com essas ferramentas exploramos formas comunicativas mais complexas, saindo assim da reação mecânica verbal ou escrita, tendo com isso uma riqueza e liberdade de expressão que nos colocam cada vez mais perto do que sentimos e pensamos.

Com isso vemos a importância em desenvolver, fortalecer, aprimorar, viabilizar estes e outros canais de comunicação, nos ajudando a ter recursos mais eficientes para comunicar melhor o que queremos. Isso traz mais clareza e entendimento a respeito do que sentimos, do que vemos, do que pensamos e de como reagimos frente às situações.

2.  Autoconhecimento

Essas experiências ajudam ao homem a realizar suas comunicações intra e interpessoais com mais sabedoria, pois assim entendemos melhor nossos desejos e buscas, dando a possibilidade de escolhas conscientes.

Quando estamos mais conscientes controlamos melhor nossos sentimentos, pois reconhecemos nossas reais necessidades, assimilando melhor o que nos agrada e o que não.

3.  Aumenta a concentração

A musicoterapia aumenta a capacidade de concentração, visto que trabalha a percepção do corpo diante dos estímulos musicais.

4.  Aumenta a autoconfiança

Na musicoterapia em grupo, a improvisação comum pode dar origem a um forte sentimento de pertença e segurança.

5.  Melhora a memória

A música define os processos internos em movimento, e isso melhora significativamente a memória, principalmente em pessoas idosas ou pacientes com demência, canções conhecidas podem evocar memórias.

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Musicoterapia receptiva e ativa

A musicoterapia pode ser receptiva e ativa. Na musicoterapia receptiva, o terapeuta toca música para o paciente e deixa os sons afetá-lo.

Na musicoterapia ativa, o próprio paciente cria sons e é permitido experimentar instrumentos diferentes. O objetivo, no entanto, não é que o paciente aprenda um instrumento musical ou seja treinado musicalmente. A intenção é que a pessoa se conecte com seus sentimentos, desenvolva sua criatividade e melhore a sua comunicação consigo mesmo e com os outros.

Quais são os riscos da terapia?

A música pode trazer à tona sentimentos que foram longos e profundamente ocultos. Se as pessoas tiveram experiências traumáticas, sentimentos de trauma podem reaparecer. Sem apoio terapêutico, essa re-traumatização pode ter consequências negativas para o paciente.

Assim que houver fortes medos ou outros sentimentos desagradáveis, o paciente deve conversar com seu musicoterapeuta. O terapeuta pode então tomar as medidas necessárias para estabilizar o paciente.

Dicas importantes

Depois de uma sessão de musicoterapia, você deve ter tempo para deixar a música se prolongar. Sinta em si mesmo quais sentimentos estão presentes e permita-se descansar para processá-los.

Na próxima sessão, o musicoterapeuta perguntará como se sentiu após a sessão de terapia. Uma breve deterioração não é incomum no começo, porque os sentimentos podem ser esmagadores. Se você se sentir estressado ou sobrecarregado, deve contar ao musicoterapeuta.

No final, o musicoterapeuta decide junto com o paciente se uma extensão da terapia faz sentido ou não. Recaídas não são incomuns em transtornos mentais. Não tenha medo de procurar ajuda novamente se você não estiver se sentindo bem depois de completar a prática.

A musicoterapia resulta em ouvir o outro

Comunicar-se implica ouvir o outro, realizando a troca de algum conteúdo, que pode ser físico ou não físico. De toda forma, exige do indivíduo uma capacidade para articular o conteúdo interno que se deseja expressar, e de ouvir a resposta do que foi oferecido por você.

Perceba aqui que a dimensão de comunicar e a de ouvir estão em um âmbito que vai além dos órgãos físicos de percepção. Isso mostra, mais uma vez, a necessidade das práticas comunicativas que ofereçam entendimento e percepção.

Ao vivenciarmos as diversas formas de comunicação pela musicoterapia, criamos a oportunidade de elaborar e praticar valores importantes de necessidade humana, como: a coragem, humildade, discernimento, foco, atenção, respeito, sinceridade, silêncio, entre muitos outros que precisamos para que uma boa comunicação aconteça.