Voltar a treinar os músculos é mais fácil do que da primeira vez. Isso acontece devido ao fato de as células registrarem a informação de que já foram estimuladas antes: a chamada memória muscular. Mas qual é o motivo disso? Como funciona essa memória muscular?

Se você já fez academia, parou por um tempo e depois voltou a fazer, sabe do que estamos falando. Seu corpo se define muito mais rápido quando volta aos exercícios, não é mesmo?

Para explicar isso, trouxemos este post. Continue lendo para entender melhor esse fenômeno fisiológico.

As células musculares são equipadas para crescer

A resposta para o enigma da memória muscular começa com um fato interessante sobre as próprias células (fibras) musculares: elas são grandes e estão entre as poucas células multinucleares dos nossos corpos. Ou seja, elas não contêm apenas um núcleo, mas muitos.

À medida que um atleta sobrecarrega seus músculos com treinamento de resistência, novos núcleos são adicionados às células musculares. Isso permite que eles cresçam em tamanho. De fato, o número de núcleos dentro das fibras musculares é uma das condições mais importantes que regula o tamanho muscular.

Agora, se o treinamento de resistência faz com que o corpo adicione núcleos às fibras musculares, o que, então, lhes permite crescer? O que acontece fisiologicamente com os músculos quando se para de treinar por longos períodos de tempo?

Bem, a resposta para isso explica o que realmente é a memória muscular e como ela funciona. Veja a seguir!

A fisiologia da memória muscular

Há muito tempo, acreditava-se que, depois de parar de treinar durante certo período, os novos núcleos adquiridos pelas células musculares eram perdidos por apoptose — um tipo de morte celular programada. Isso explicava a perda de tamanho e força que ocorre durante o “destreinamento” e parecia fazer sentido. Porém, hoje sabe-se que isso estava errado.

Embora o destreinamento resulte claramente em músculos menores e mais fracos, os novos núcleos adquiridos durante o treinamento são mantidos. Eles permanecem por, pelo menos, 3 meses de inatividade.

De fato, há evidências de que esses novos núcleos nunca se perderão. Isso significa que o treinamento de resistência induz alterações fisiológicas permanentes nas fibras musculares.

Simplificando: a ideia de que os núcleos são adicionados às fibras musculares como resultado do treinamento e perdidos devido ao destreinamento é falso. Na realidade, a explicação é a seguinte:

  1. Os músculos são submetidos a sobrecarga e novos núcleos são adquiridos pela primeira vez. Por meio de treinamento adicional e dieta adequada, esses núcleos sintetizam novas proteínas musculares e, assim, as fibras musculares crescem;
  2. Após o destreinamento, as fibras musculares ficam resistentes à atrofia, graças à quantidade aumentada de núcleos. Porém, se o destreinamento continuar por muito tempo, as taxas de degradação de proteínas excedem às taxas de síntese proteica. Assim, os músculos diminuem de tamanho, mas os núcleos não estão perdidos;
  3. Quando o treinamento é retomado, os músculos crescem rapidamente em tamanho. O passo de adicionar núcleos é “pulado” — eles já estão lá, prontos para sintetizar proteínas musculares novamente, aumentando rapidamente o tamanho muscular.

É por essa razão que quem é iniciante na academia demora mais tempo para ganhar massa muscular do que quem possui histórico de treinamento prévio. É a fisiologia da memória muscular.

A memória muscular é nossa melhor amiga

Os cientistas acreditam que se preenchermos os músculos enquanto jovens pode ser benéfico durante a velhice, já que a construção de músculos fica mais difícil com a idade e a perda muscular é um dos riscos associados ao envelhecimento mais graves para a saúde.

Além disso, a memória muscular é alívio para aqueles atletas que precisam parar de treinar por um tempo. Quando eles retomarem seus exercícios, poderão contar com ela para voltar a ter um corpo definido.

E você? Já ficou muito tempo sem se exercitar e teve maior facilidade em definir o corpo quando voltou? Deixe sua resposta nos comentários. Adoraremos saber de suas experiências!

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