A dança contemporânea é uma prática que não se limita a coreografias, técnicas ou estilos específicos. Isso porque ela se utiliza de movimentos espontâneos para a criação das performances. Considerada abstrata, ela mistura ritmos como hip hop, jazz e o ballet, por exemplo.

Criada entre as décadas de 50 e 60, a dança contemporânea tem ganhado cada vez mais adeptos. Essa grande procura se justifica, principalmente, porque além de poder ser praticada por pessoas de perfis e faixas etárias diferentes, esse tipo de dança também oferece inúmeros benefícios aos seus praticantes. Quer conhecer alguns? Então acompanhe o artigo a seguir.

Benefícios dança contemporânea

De acordo com o bailarino e professor João Pirahy, a prática da dança contemporânea contribui para o desenvolvimento da consciência corporal e coordenação motora. Ele ensina algumas técnicas da dança e sugere três exercícios como experimento. 

“Estas ferramentas vão permitir que o seu corpo se apodere mais da dança e os movimentos fluam melhor e mais naturais”, explica. 

benefício da dança contemporânea

Exercício 1: 

Eleja 2 partes do corpo e comece a movimentá-las lentamente. Pense na parte do corpo que está movimentando. Preencha o espaço e comece a desenhar (nesse espaço), por exemplo, com os braços movimento lentos e mais rápidos. Controle e desenhe o movimento no espaço. Descontrole e controle. Faça movimentos mais fluidos; preencha todo o espaço e deixe fluir, pesar e pause. E continue. 

Outros níveis (para trabalhar os braços ou a parte escolhida): nível alto, médio e baixo explorando o espaço. Solte o peso da cabeça, mais lento, lento e finalize. 

Exercício 2: 

Imaginamos uma bolinha de tênis percorrendo por todo o seu corpo. Onde esta bolinha tocar, eu vou olhar, ela percorre o corpo e eu tenho a possibilidade de dominá-la. Você também pode fazer com duas bolinhas, será um grau de dificuldade maior. 

Exercício 3: 

Dançar o seu nome: encontre o movimento e dance, enquanto desenha o seu nome no ar. 

Assista ao vídeo e confira!

Dança contemporânea: como ela pode torná-lo mais criativo?

O pesquisador do departamento de psicologia da dança da Universidade de Hertfordshire, da Inglaterra, possui uma trajetória de vida muito diferente da maioria dos acadêmicos. 

Formado em balé e dança teatral, ele trabalhou como dançarino profissional antes de se formar em psicologia e inglês. Mais tarde se especializou em computação neural e psicologia experimental. 

Agregando a dança a teorias, Peter Lovatt estuda os benefícios que a dança traz para o cérebro. Seus estudos, inclusive, concluem que o modo de dançar pode influenciar dois tipos de pensamento: o convergente e o divergente.

O pensamento convergente é aquele que junta esforços em busca de uma resposta. Isso acontece, por exemplo, ao resolvermos uma conta matemática. Ao pensarmos no resultado da soma 125 + 487, estamos dirigindo nosso cérebro a uma resposta exata: 612. 

Já o pensamento divergente procura não apenas uma solução, mas várias. Quando planejamos os vários caminhos que podemos pegar para chegar ao trabalho, estamos realizando um pensamento divergente. Não pensamos em um caminho determinado, mas sim nas várias possibilidades que temos, é uma ampliação de resultados.

Peter Lovatt diz, ainda, que dançar acelera o processamento de informações no cérebro e aumenta a criatividade.

Seguir ou improvisar?

As pesquisas de Lovatt sugerem que a forma que praticamos a dança contemporânea podemos beneficiar um ou outro tipo de pensamento. “Para explicar essa influência, é preciso dizer também que existem duas formas de dançar: uma estrutural e outra improvisada”. 

Segundo Lovatt, a dança estrutural é aquela que você segue, enquanto a dança improvisada é aquela que você cria, como no caso da dança contemporânea, por exemplo.

“Ao frequentar aulas de danças, nas quais os passos que você faz são pré-estabelecidos pelo professor, você está seguindo movimentos. Por outro lado, se você está em casa e começa tocar aquela música que você adora e você solta o corpo e deixa a música conduzi-lo, você está improvisando”, explica Lovatt.

A dança estrutural contribui para o pensamento convergente. Segundo Lovatt, ela agiliza o processamento de informações no cérebro, o que faz com que se chegue mais rápido a uma resposta. Agora, se você quer mais criatividade, o pesquisador sugere a dança contemporânea, improvisada. Isso porque ela pode estimular ideias criativas e acelerar os pensamentos divergentes.

Fertilidade e dança

Outra revelação interessante das pesquisas conduzidas por Lovatt é que o nível de hormônios sexuais pode tornar a dança de um indivíduo mais atrativa. O pesquisador avaliou o nível de testosterona em homens. Aqueles que apresentaram taxas mais altas foram os considerados mais atraentes por mulheres que os observavam dançando.

Lovatt observou o mesmo quando os sexos foram invertidos. Dessa forma, mulheres que estavam em seu período fértil, e portanto, com maiores taxas de progesterona, mexiam mais os quadris enquanto dançavam. E isso as tornava mais atrativas aos olhos masculinos. 

Os pesquisadores compararam os movimentos das mulheres em diferentes etapas do ciclo menstrual e constataram que a uma maior taxa hormonal pode ser ligada a movimentos mais sensuais.

Por que poucos homens praticam terapias vinculadas à dança?

Apesar de as principais referências na área sejam femininas, não há contraindicações quanto aos benefícios masculinos para as terapias vinculadas à dança. No início da década de 1920, havia bailarinos profissionais, tanto como havia bailarinas. Porém, foram as mulheres que se interessaram em fazer aproximações entre os conhecimentos acerca do movimento com a área da saúde, configurando um quadro prioritariamente nas referências da área. 

Entretanto, atualmente, há muitos homens tornando-se referência nos estudos do movimento. Assim, nas sessões de terapias vinculadas à dança, sobretudo naquelas que se utilizam da dança contemporânea, por exemplo, é possível observar tanto público feminino como masculino.