Você provavelmente consome diversos alimentos com trigo na composição, certo? Esta planta, que é a segunda maior cultura do planeta (perdendo apenas para o milho), faz parte da base da alimentação de milhões de pessoas. No entanto, uma pequena parcela de indivíduos não pode nem sonhar em consumi-la. Afinal, o que é doença celíaca?

Essa doença atinge apenas cerca de 1% da população mundial, mas pode causar problemas seríssimos para a saúde dessas pessoas. Infelizmente, a desinformação acerca do problema deixa centenas de casos sem diagnóstico todos os anos.

Quer saber mais sobre o assunto? Então confira o post recheado de informações relevantes para que você fique por dentro de tudo. Boa leitura!

O que é doença celíaca e quais são os principais tipos da doença?

Trata-se de uma desordem autoimune desencadeada pelo consumo de uma proteína conhecida como glúten. Em outras palavras, isso quer dizer que ela é uma doença na qual o sistema imunológico do indivíduo ataca o próprio organismo, percebendo o glúten como um “corpo estranho” que necessita ser combatido.

Essa proteína está presente em alimentos como o trigo, a cevada e o centeio. No entanto, também é necessário tomar cuidado com outros grãos, como a aveia, que normalmente são cultivados e manuseados pelo mesmo maquinário, sofrendo contaminação cruzada.

A reação se inicia quando o glúten é ingerido, causando uma reação que causa a destruição progressiva das vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção adequada de nutrientes. Elas acabam tornando-se inflamadas e achatadas, perdendo sua forma original e reduzindo o tamanho dessa área tão importante.

Existem alguns tipos diferentes de doença celíaca. São eles:

  • clássica — apresenta os sintomas clássicos, como diarreia constante e distensão abdominal;
  • atípica — não exibe sinais típicos, mas sim algumas consequências da doença, como anemia ou baixa estatura;
  • assintomática — não apresenta qualquer tipo de sintomas ou manifestações clínicas a não ser achados sorológicos e morfológicos nas mucosas intestinais;
  • latente — nesse caso, exames podem apontar a presença dos genes para a doença, mas ainda não ocorreram manifestações ou alterações no intestino.

O que causa o problema?

A doença celíaca afeta pessoas de todas as idades e gêneros e a sua causa é genética. Os genes responsáveis pela suscetibilidade à doença são os HLA DQ2 e HLA DQ8. Possuir parentes de primeiro grau com a doença aumenta ainda mais a predisposição.

Esse problema pode ficar “adormecido” por vários anos e ser desencadeado por um evento estressante, como uma cirurgia, estresse emocional ou alguma infecção séria. Por isso, o recomendado é que todos aqueles que têm parentes celíacos façam os exames para descobrir se possuem os genes citados acima.

Quais são os problemas associados à doença celíaca?

Além dos problemas nutricionais, ocasionados devido aos danos às vilosidades e a consequente queda na absorção de nutrientes, muitos outros podem surgir graças à presença da doença celíaca.

Um exemplo bastante comum é o desenvolvimento de outras inflamações, por vezes crônicas, que surgem por conta dos danos ao organismo como um todo. Elas afetam, na maior parte das vezes, o intestino delgado, mas podem atingir áreas como a pele (dermatite herpetiforme), articulações, ossos e trato urinário.

Outros problemas comumente enfrentados pelos celíacos são:

  • doenças na tireoide;
  • alterações na função pancreática;
  • anormalidades hepáticas;
  • doença de Addison;
  • síndrome de Sjogren;
  • diabetes;
  • ausência de menstruação;
  • anemia;
  • deficiência de vitamina B12;
  • plaquetas baixas;
  • artrite;
  • lúpus;
  • intolerância a lactose;
  • colite;
  • raquitismo;
  • hepatite;
  • cirrose;
  • esclerose múltipla;
  • acne;
  • dermatite herpetiforme;
  • alopecia (queda de cabelo)
  • úlceras bucais;
  • infertilidade;
  • osteoporose;
  • depressão.

Quais são os principais sintomas?

Como podemos observar, a doença celíaca não é brincadeira. A interrupção apropriada da absorção de nutrientes é capaz de interferir no funcionamento correto de todos os sistemas do organismo. Por isso, um diagnóstico precoce é a forma mais efetiva de controlar o avanço da doença e garantir qualidade de vida para os seus portadores.

No caso das crianças, os sintomas costumam ser mais clássicos (distúrbios gastrointestinais) e envolvem problemas no crescimento e no desenvolvimento. Já no caso dos adultos, eles podem variar bastante.

Confira os principais sinais:

  • inchaço e dores no abdômen, especialmente após a ingestão de glúten;
  • diarreia intensa;
  • fezes com cor clara;
  • prisão de ventre;
  • vômitos e náusea;
  • perda de peso sem explicação;
  • anemia que não responde aos tratamentos com reposição de ferro;
  • fraqueza e fadiga;
  • baixa estatura;
  • atraso na puberdade;
  • ciclos menstruais irregulares;
  • dores nas articulações e ossos;
  • dormência nos membros e nas extremidades do corpo;
  • úlceras e aftas na boca;
  • erupções cutâneas, geralmente acompanhadas de coceira intensa;
  • acne que não responde aos tratamentos convencionais;
  • queda de cabelo;
  • descoloração dentária.

Caso note um ou mais dos sintomas listados acima, procure imediatamente um médico e solicite uma consulta com um gastroenterologista, o profissional capacitado para lidar com a doença celíaca e que solicitará todos os exames necessários.

Como é feito o diagnóstico?

Devido aos sintomas variados e comumente associados a outras patologias, fechar um diagnóstico de doença celíaca pode ser um desafio. No entanto, ele é possível com a realização de alguns exames auxiliares.

São feitos marcadores sorológicos, por meio de um exame sanguíneo. Os mais comuns são os testes de anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase.

Entretanto, o diagnóstico definitivo é obtido por meio de uma endoscopia com biópsia do intestino delgado. Nesse exame são retirados pequenos fragmentos do órgão, que serão posteriormente analisados em um laboratório.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Infelizmente, apesar de existirem tratamentos de suporte para os sintomas e ocorrências associadas à doença, o único tratamento viável para os celíacos é uma dieta completamente livre de glúten e seus traços, com atenção especial à contaminação cruzada, que pode ocorrer até mesmo dentro de casa.

Embora possa parecer assustador e cause, no início, um estranhamento natural, a alimentação sem a proteína pode ser extremamente simples e saborosa. Aprender a cozinhar em casa e investir em uma alimentação mais saudável garantirá a manutenção da saúde e trará muito mais qualidade de vida aos celíacos, que podem viver uma vida completamente normal longe da contaminação.

Agora que você sabe o que é doença celíaca, fique ligado aos principais sintomas e não deixe de procurar um médico caso note alguma anormalidade. E lembre-se: o diagnóstico não deve, de forma alguma, ser encarado como uma sentença. Com tantas receitas saborosas e saudáveis, é possível ter muita qualidade de vida!

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